quinta-feira, 27 de março de 2025

Hananoi-kun to Koi no Yamai termina em três capítulos

Hananoi-kun to Koi no Yamai (花野井くんと恋の病), também conhecido como A Condition Callled Love, chegará ao final em três capítulos.  Segundo o ANN, antes dessa reta final, o mangá de Megumi Morino entrará em hiato e não terá capítulo publicado na edição da revista Dessert em 24 de abril.  A série estreou na revista Dessert em 2017 e teve animação no ano passado.  A série deve fechar com 18 volumes, eu imagino.  Tentei ler o mangá, mas não me conquistou e eu larguei.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Novos mangás (ou volumes) lançados no Japão que parecem interessantes

Sim, é aquela post em que eu pego os lançamentos recentes e comento.  A maioria vem do Comic Natalie.  Eu junto tudo em um mesmo post, porque é mais rápido e  não tenho grandes detalhes ainda.  então, vamos lá!

Saiu o último volume, o #14, de Calorie no Tsuyagoto  (かろりのつやごと), de Oda Yuua.  Por incrível que pareça, afinal, a série recebeu um dos prêmios da Associação de Cartunistas do Japão em 2024, não temos scanlations, nem doorama ainda.  O ponto de partida da série é o seguinte: "Fujiki Katori é uma mulher corpulenta que adora comer e às vezes é ridicularizada como "Caloria" por aqueles ao seu redor. Embora não se interesse por homens, Fujiki é tímida e inexperiente no amor por causa de seu tipo de corpo. No entanto, sua vida cotidiana começa a mudar aos poucos depois que ela conhece um jovem estudante universitário, Shuugo Aoi, em um teishoku-ya (restaurante de comida pronta) que ela visita.".  O CN fez post sobre o último volume e os dois se casam no final, que não será o fim, pois a autora vai iniciar a Season 2 (*é o título*) da série.  Ela continuará sendo publicada na Office YOU.

Outro josei, desta vez centrado em um adultério.  Damashi-ai ~Utsukushii uso ni Oboretai~ (だまし愛~美しい嘘に溺れたい~) , de Gureko (roteiro) e Asou Kuma (arte), é publicado na plataforma Manga Mee, sendo lançada no dia 22 de março.  O resumo do Comic Natalie é o seguinte: "O amor de uma dona de casa nascida em uma poderosa família dona de um hospital é vazia. Ela é atormentada por crianças rebeldes, um marido com quem tem um relacionamento frio e uma sogra que a força a se submeter. Um dia, um belo jovem chamado Kousei chega para ser tutor de seu filho... Ai é libertada da gaiola da família por Kousei e é atraída para um mundo doce."  Tem cheiro de tragédia, isso, sim, além de ter cara de que vai virar dorama, se fizer sucesso.

Este aqui, não sei se é josei ou seinen (*mais provável*), não sei mesmo, mas parece ser interessante, é um gourmet mangá.  Hajimari Ha Itsumo Gohan KaraHitato Chihiro No Yamaguchi Kurashi (始まりはいつもごはんから。直と千紘の山口暮らし), de Yamano Rinrin, foi lançado no dia 19 de março e é volume único.  O resumo do CN é o seguinte: "A história começa quando Nao, uma mulher solteira de 30 anos, volta de Tokyo para sua cidade natal, Yamaguchi. Embora ajudasse na mercearia da família, Nao estava farta dos comentários insensíveis da família e dos clientes sobre quando ela se casaria, e passava os dias franzindo a testa e desejando poder voltar para Tokyo. Nao é convidada por sua amiga de infância Chihiro para fazer um delicioso passeio gastronômico em Yamaguchi. Cada vez que Nao entra em contato com a deliciosa comida local, seu humor gradualmente se torna mais positivo. Muitos produtos e lojas reais de Yamaguchi aparecem na obra, como a torrada de feijão vermelho de Ryoyu Pan, a refeição completa de Fukunoseki, o soba de Bali e o koron de Fujimitsu Kaifudo."  Imagino que o mangá seja cheio de desenhos detalhados de comidas.

E temos um isekai com mocinha viva!!!!!  Isekai Trip Shita JK wa Kishi-sama no Omoi Ai ni Kakowareru (異世界トリップしたJKは騎士様の重い愛に囲われる), de Nakiri.  São somente seis capítulos publicados em 1 volume.  Acredito que pode acabar tendo continuação.  A série é da revista Chocolat Sucre (TL?) e o resumo que está no CN é o seguinte: "Uma estudante do ensino médio viaja para outro mundo e é cercada pelo profundo amor de um cavaleiro.  Tudo começa quando uma garota chamada Riri, que vive na sociedade moderna, acidentalmente cai em um bueiro. Depois de passar por um túnel escuro, ela se encontra em uma floresta em outro mundo, onde é salva de um ataque de uma fera mágica por um belo cavaleiro chamado Fritz. Embora confusa, Riri supera a situação com sua alegria e coragem naturais, e se vê atraída pela gentileza estranha de Fritz. Uma fantasia sobrenatural sobre um cavaleiro gentil e taciturno e uma garota competitiva acaba acontecendo."  Parece bobo, mas queria olhar isso aqui.

Outro título que pode ser interessante é esse TL que o CN chama de terror erótico.  Será que é isso?  Joou no Rakuin 〜Horobi no Kuni no Yotogi Miko〜 (女王の烙印〜滅びの国の夜伽巫女〜), de Shima Cathy, é outra série do Manga Mee.  O resumo que está no CN é o seguinte: "Himori Mikoto nasceu na pequena e remota ilha de Himonjima e era a herdeira de um santuário. Dizia-se nesta ilha que se você entrasse na área proibida, seria amaldiçoado pela Princesa Imortal. Um dia, quando Mikoto é forçada a entrar na floresta proibida, um terremoto sem precedentes ocorre e a maldição da Princesa Imortal é revivida... Mikoto, que possui um poder especial, acaba salvando o mundo com seu próprio corpo.".  Dois volumes foram lançados juntos.  

Por fim, temos Motoseijo Heroine No Watashi, Zokuhen De Ha Mobnanoni Zenstatus (Kokando Wo Fukumu) Ga Kan Suto Shiteiru Ndesuga (元聖女ヒロインの私、続編ではモブなのに全ステータス(好感度を含む)がカンストしているんですが), de Madara.  A série conta a história de Nina, uma garota sem experiência no amor que querendo aprender mais sobre esse sentimento, joga o otome game "Adolescência de Espadas e Magia", mas acaba tendo um final feliz de amizade.  Ela queria seguir outra rota. E, por algum motivo, Nina é transportada para o mundo do jogo como a heroína, uma santa (sacerdotisa), que parte em uma aventura com seus companheiros para salvar o mundo, alcançando um final feliz de amizade também em sua segunda partida. Mais tarde, Nina foi morta por alguém e retornou ao nosso mundo. Dois anos depois, quando Nina é transportada novamente para o mundo da sequência do jogo, ela descobre que o medidor de coração que indica o nível de afinidade dela com o Príncipe Alvin, um dos seus possíveis pares, ficou completamente preto... Esta história descreve o romance entre um príncipe yandere complicado e uma ex-santa sem experiência romântica. O mangá foi escrito por Madara, com Fujimaru Mamenosuke creditado como o designer original dos personagens.  O resumo do CN está truncado, eu sei, mas é o tipo de série que tem cara de material com potencial para virar anime.  Não sei se é shoujo, ou josei.

terça-feira, 25 de março de 2025

Mais uma corte regional japonesa estabelece que o não reconhecimento de casamentos do mesmo sexo é inconstitucional

No Japão, não há reconhecimento por parte do governo federal do casamento igualitário.  Como o ordenamento jurídico lá é diferente do nosso, as prefeituras e governos regionais podem conceder direitos e mesmo reconhecer os casamentos de pessoas do mesmo sexo, mas a constituição, não reconhece.  Dito isso, a coisa pode ser judicializada e ir parar em uma corte federal e o cônjuge não ter seus direitos respeitados.  Uma das críticas da Anistia Internacional  é que esses acordos não asseguram oferecendo alguns direitos, mas estes não dão direitos como herança, visitas conjugais ou reconhecimento parental.

Enfim, segundo o site Jurist News, "O Tribunal Superior de Osaka decidiu que a falta de reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Japão é inconstitucional na terça-feira. O Tribunal Superior de Osaka é o quinto tribunal a decidir que a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo é inconstitucional após decisões semelhantes nos tribunais superiores de Sapporo, Tóquio, Fukuoka e Nagoya."  Acredito que a estratégia utilizada pela militância no Japão é conseguir que as cortes regionais declarando inconstitucionalidade pressionem os velhos que governam o Japão a alterarem o Código Civil do Japão e a Lei de Registro de Família acatando o Artigo 14 da constituição do país que afirma: "Todas as pessoas são iguais perante a lei e não haverá discriminação nas relações políticas, econômicas ou sociais por causa de raça, credo, sexo, status social ou origem familiar".

No Dia Nacional do Orgulho Gay, Globo separa Guto e Vinícius em Garota do Momento

Eu só assisto uma novela atualmente, Garota do Momento.  É uma novela das seis de nosso tempo, com todas as limitações que a teledramaturgia atual tem, agravada pelas limitações impostas ao horário.  Infelizmente, no caso da Rede Globo, quem comanda a área de teledramaturgia é Amauri Soares que, em entrevista recente, disse que  não quer agradar todo mundo.  Não sei bem que ele quer agradar e/ou adular, só sei que a audiência patina, ainda que a liderança permaneça e a qualidade das novelas da emissora despencaram, inclusive com redução de investimento financeiro cada vez mais evidente.  

Muito bem, Amauri Soares negou em sua entrevista qualquer censura da cúpula da emissora à tramas que envolvessem personagens LGBTQIAPN+.  Quem acompanhava a novela Vai na Fé, e fiz vários posts sobre a trama, sabe que em pleno Mês do Orgulho, houve ordem para  cortar beijos do casal Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman).  Mesmo com a novela indo bem na audiência, houve ordem para que os cortes acontecessem com o intuito de não irritar uma (*suposta*) audiência conservadora evangélica.  Escrevo suposta, porque acredito que essa fatia que eles querem agradar, largou as novelas da emissora faz tempo.  Sei que posso estar me baseando em evidências anedóticas (*minha família*), mas eles são representativos da forma como os evangélicos médios veem a Globo.  No caso dos meus pais e irmão, eles continuam assistindo os telejornais, ou seja, eles não são estão no espectro mais radical do grupo, mas conheço exemplares dessa parcela, também.  Esses nem os noticiários consomem.

Ainda que sempre lembrem do casal de mulheres, o que está acontecendo em Garota do Momento parece ser uma repetição da separação de outro casal de Vai na Fé.  Yuri (Jean Paulo Campos) e Vini (Guthierry Sotero), foram separados  de uma forma muito semelhante ao que estão fazendo com Vinícius (Elvis Vittorio) e Guto (Pedro Goifman).  Aliás, olha a coincidência de nomes, porque Vini é apelido de Vinicius, imagino.  Em Vai na Fé, Vini recebeu uma bolsa de estudos nos Estados Unidos e deixou Yuri para trás.  Yuri, que tinha superado várias travas para entender seu desejo por alguém do mesmo sexo, acabou se envolvendo e casando com a personagem interpretada por Mel Maya.  Yuri era bissexual, ou se tratou de uma "conversão"?  Não houve discussão sobre isso.  O rapaz perdeu relevância na novela.

Vinicius de Garota do Momento também foi para os Estados Unidos.  A família Tijucana do rapaz, que o tinha colocado fora de casa ao descobrir sua orientação sexual, afinal, estamos em 1958, decidiu acolhê-lo.  Inventou-se que o pai estava com câncer e iria se tratar nos Estados Unidos.  O pai, que nunca tinha aceitado a paixão do rapaz pela dança, aceitou pagar um curso para ele.  Ir para os Estados Unidos seria a chance para que a família fosse restaurada.  Sem querer me desviar, imagino quão caro seria para alguém ir se tratar nos Estados Unidos nos anos 1950.  A Tijuca era e continua sendo um bairro de classe média, não é lugar de ente rica, ainda que as pessoas possam ter níveis socioeconômico médio acima do de outros bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro.  Mas em uma novela na qual todo mundo tem telefone, isso não deve ser um problema.  

O fato é que ao retirarem Vinicius da novela, temos a interrupção da história de amor dos rapazes e joga fora todo o percurso que Guto tinha feito até se compreender.  Eles vão continuar namorando por carta.  Vinicus retornará à trama?  Guto terá um novo amor?  O adolescente, que está concluindo o colegial, vai se interessar por uma garota como Yuri? Eu não duvidaria. O fato é que Amauri Soares jogou toda a responsabilidade por qualquer censura para os autores das telenovelas.  Se você quiser comprar, bem, é com você.   E, claro, os pobres dos atores estão tendo que defender os rumos tomados pela trama.

A cena de despedida  dos dois foi ao ar hoje.  Ainda não assisti ao capítulo, mas achei de um grande mau gosto terem colocado a separação no ar logo no Dia Nacional do Orgulho Gay.  Parece um replay das várias pequenas censuras em Vai na Fé ocorridas exatamente no Mês do Orgulho LGBTQIAPN+.  O fato é que vivemos um momento de backlash (retrocesso), no qual os direitos das minorias estão sob ataque e, agora impulsionados pelo governo Trump, empresas se sentem cada vez mais estimuladas a ignorá-las, ou mesmo excluí-las.  Na Globo, o processo começou bem antes, quando Amauri Soares assumiu a emissora.   

Hoje, Luccino e Otávio de Orgulho & Paixão, um dos meus casais favoritos das telenovelas, não existiriam.  E deixo link para uma thread sobre sobre os últimos vinte anos de casais do mesmo sexo em novelas da Globo.  A pessoa diz que nada mudou.  Eu, historiadora feminista, afirmo que mudou, sim.  Tivemos avanços e retrocessos.  A gente não pode acreditar que direitos ganhos não podem ser tomados, eles podem, são e estão sendo.  Peguem fotos do Afeganistão ou do Irã nos anos 1970 e comparem com os nossos dias.  Sim, a maioria das mulheres não usava minissaia, praticava esportes, ou estava envolvida em atividades divertidas com o sexo oposto, mas, HOJE, nenhuma delas pode fazer isso.  Não há escolha.  Direitos não caem do céu, eles são fruto de muita luta e de negociações, mas eles podem ser perdidos rapidinho e sob os mais diferentes argumentos.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Diretor de No Other Land (Sem Chão) é linchado por multidão de colonos e preso por soldados israelenses na Cisjordânia

Um dos pontos altos do Oscar, e eu destaquei no meu post, foi o prêmio de melhor documentário em longa metragem para o filme No Other Land (Sem Chão), escrito e dirigido à quatro mãos por palestinos e israelenses.  Destaco parte do que escrevi no meu post do Oscar:

Agora, o momento mais importante da festa de longe foi o prêmio de melhor documentário para o candidato palestino Sem Chão (No Other Land).  Dirigido por um coletivo formado por dois palestinos e dois israelenses (Basel Adra, Hamdan Ballal, Yuval Abraham e Rachel Szor) e falando da violência contra os palestinos na Cisjordânia.  Basel Adra e Yuval Abraham foram os porta-vozes do grupo e fizeram discursos muito pertinentes.  Detalhe, o filme não tem distribuição nos Estados Unidos.  E vou destacar o que ficou para a história.(...) No momento em que estamos assistindo um genocídio em andamento em Gaza, destruição e mortes na Cisjordânia, e que o presidente dos Estados Unidos fala em transformar o território Palestino em um resort, esta vitória é importante.  Se a vitória de Ainda Estou Aqui é emocionante para o Brasil (*talvez, para o México, também, por motivos de Emília Pérez*), a de Sem Chão é mensagem para o mundo.

Muito bem, o jornal israelense Haaretz noticiou que Yuval Abraham, israelense e um dos co-diretores do filme, e ativistas denunciaram que Hamdan Ballal foi atacado por dezenas de colonos na Cisjordânia, linchado e, posteriormente, preso por soldados da IDF (*Forças de Defesa de Israel*).  Segundo os relatos, os colonos "(...) destruíram tanques de água, roubaram câmeras de segurança e quebraram janelas de carros. Quando os soldados chegaram, os colonos fugiram. Ativistas americanos no local chamaram a polícia, mas disseram que os policiais não intervieram."

A IDF diz que colonos foram atacados por terroristas armados com PEDRAS.  Já os ativistas dizem que Ballal foi retirado de dentro de uma ambulância e levado.  Tudo ocorreu, hoje pela manhã e ninguém teve mais notícias  dele.    Diante das denúncias, a IDF diz estar investigando o caso.  A vitória do filme no Oscar foi muito mal recebida, segundo o Haaretz, por setores da sociedade israelense que justificam a ocupação de terra dos palestinos na Cisjordânia e justificam as ações terroristas dos colonos.  Sim, são terroristas, alguns, antes desse governo israelense atual, chegaram a ser condenados por suas ações.  Hoje, esse pessoal é celebrado e faz parte do governo.

Acredito que ele será libertado, seria um escândalo muito grande deem sumiço nele, ou o manterem encarcerado.  No entanto, dada a situação que temos hoje, o apoio norte-americano que parece ser sem restrições, talvez, eu esteja sendo otimista.  O fato é que a carnificina precisa parar.  Estamos assistindo a um genocídio televisionado e com a conivência da maior potência do mundo.  Para os palestinos e qualquer pessoa de boa vontade, é aterrador.  Para quem não lê em inglês, recomendo o texto do G1.