Era uma vez, um príncipe saudita que aprendeu inglês lendo quadrinhos, que amava os X-Men e gostava particularmente de Psylocke e Tempestade. Esse príncipe cresceu, decidiu seguir carreira na área de games, transmídia e quadrinhos e é dono da empresa Na3am. Ele terminou por criar uma distopia futurista, 100 anos no futuro, parte de um universo chamado Saudi Girls Revolution e criou uma heroína chamada Latifa, uma delinquente juvenil fruto de um mundo desigual, analfabeta e guerreira. Além do quadrinho, que é publicado em árabe e inglês, há o jogo para celular, vídeo game, afinal, o príncipe Fahad Al-Saud trabalha com transmídia.
Vi matéria sobre “Latifa: I Am Not Latifa”, nome em inglês da série, no Comic Book Legal Defense Fund, que combate a censura nos quadrinhos. No caso de Latifa, parece que a censura saudita botou os olhos na série e, no início, não gostou muito, mas acabou liberando o material. No artigo, Fahad Al-Saud brinca dizendo que ficou decepcionado pelo quadrinho ter sido liberado tão facilmente, que ele queria lutar mais... Ele deveria te rum desconfiometro, né? Ser príncipe talvez tenha pesado para a liberação do quadrinho. Talvez...
Latifa é co-roteirizada por Stan Berkowitz e foi lançada na Saudi Comic Con, em Jeda, com grande sucesso. Nasceu aí, segundo o Arab News, o primeiro super-herói do país, surpreendentemente, uma mulher. Segundo Al-Saud, em todo quadrinho que ele leu e vídeo game que jogou na vida sempre havia pelo menos uma mulher e elas sempre foram suas personagens favoritas. Ele também relata que decidiu transformar seu hobby em profissão, o que sendo um príncipe saudita nem é um grande problema, acredito eu. Só não entendi se Latifa pertence somente à Na3am, ou, também, à Marvel.
Questionado sobre o fato da Arábia Saudita ser um país com uma cultura centrada nos homens, ele defendeu vigorosamente a sua personagem, que seu quadrinho seja centrada em uma mulher. Além disso, ele diz que as mulheres e meninas do país precisam de modelos fortes, além de criticar a opressão e a discriminação que vigora em seu país. (*Sério, no discurso ele é engajadíssimo*) Ele afirma, no entanto, que deve haver um equilíbrio, daí, a espada robótica de Latifa, Al-Faisal, ser uma personagem masculina, uma metáfora do próprio pai da moça, que é órfã.
De resto, vale a leitura do texto do Arab News. Al-Saud fala um monte de coisas interessantes sobre ficção científica, sonhar com o futuro da humanidade, com a possibilidade de Latifa ganhar o mundo e, bem, ele está sonhando com um filme. Dinheiro, ele tem para gastar, então... De resto, olhando por alto, parece um comic de supers bem padrão, o que não diminui em nada a curiosidade em relação ao material que é, sim, importante, por ser o primeiro e por terem escolhido uma mulher para protagonista em uma sociedade tão complicada como a saudita.
2 pessoas comentaram:
Certamente ele ser príncipe fez uma diferença gigante para conseguir a liberação do material. Bem, é um passo, mesmo pequeno, na direção certa.
Que surpresa legal. Que o príncipe Fahad Al-Saud seja um pioneiro de uma geração de criadores de quadrinhos ousados e engajados.
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