terça-feira, 28 de julho de 2009

Os super-heróis vão salvar o cinema



Saíram duas matérias interessantes na Época desta semana. Vou postar as duas aqui. A primeira é esta sobre os super-heróis e sua rentabilidade no cinema. Não sei se a matéira está aberta para não-assinantes, o link é este aqui. Há mais imagens, mas é um bagulho em flash. Eles colocaram imagem de Dragon Ball na matéria.

Os super-heróis vão salvar o cinema
Mariana Shirai, de San Diego

Você sabe quanto vale seu super-herói? Para Hollywood, ele pode render alguns bilhões de dólares. Franquias como X-Men, Homem-Aranha e Batman explodiram nas bilheterias da última década, trazendo um novo frescor ao cinema americano e conquistando fãs em todo o planeta. Prova disso está na 40 ª Comic Con International, que começou na quinta-feira 23, em San Diego. A feira, de quatro dias, reúne fãs de quadrinhos e sedia eventos oficiais de lançamento de prováveis sucessos de bilheteria. As estrelas deste ano são Lanterna Verde e Homem de Ferro 2 (confira abaixo os filmes que estreiam até 2012).

Para ter uma ideia de como os heróis ficaram mais fortes, a feira, que nasceu em 1970 como uma pequena convenção de editores e criadores de quadrinhos, atraiu neste ano um público estimado em 125 mil pessoas. A Comic Con se converteu no megamercado da cultura pop fantástica. Eventos relacionados aos gibis, como a entrega do Prêmio Eisner Awards, o “Oscar dos quadrinhos”, e palestras de autores de gibis célebres como Stan Lee, criador dos X- -Men, dividem espaço com estrelas do cinema e da televisão, produtores de games e todo tipo de fã. Eles desfilam em bandos pelo centro de convenções de San Diego, alterando a paisagem da cidade californiana de 1,3 milhão de habitantes, em geral pacata. São seres fantasiados de zumbis, Lolitas japonesas e super-heróis. Muitos vêm para ficar por dentro dos lançamentos de roupas e brinquedos colecionáveis. Outros se engalfinham para não perder painéis e as projeções de filmes que, mesmo não sendo inspirados pelos quadrinhos, têm cara de gibi.

A atmosfera é de parque temático. O elenco da saga Crepúsculo passou por aqui para divulgar Lua nova, segundo longa da série baseada nos romances de vampiro de Stephenie Meyer. A simples presença do galã Robert Pattison (o vampiro Edward) causou um tumulto de fãs adolescentes, que dormiram na fila para vê-lo. Apesar da insistência, nenhuma delas foi ferida no pescoço pelo ator. O diretor James Cameron mostrou 20 minutos de trechos em 3-D de seu próximo filme, a ficção científica Avatar, a estrear em dezembro. “Agora posso explicar onde eu estava”, disse sob aplausos o diretor, que não exibe um filme de peso desde Titanic, de 1997. “Estava fazendo isso aí!” Avatar é a fábula da tribo humanoide na’vi, do planeta Pandora, e seu encontro com os terráqueos. Os colantes azuis e as orelhas de duendes dos na’vis devem se tornar moda na próxima edição da feira. O diretor Tim Burton falou sobre Alice no País das Maravilhas, prometido para 2010, com Johnny Depp na pele do Chapeleiro Maluco. “Ao ver as adaptações de Alice, achei a menina muito fria”, disse o diretor. “Tentei lhe dar uma vida interna.” Na apresentação, Burton chamou Johnny Depp ao palco, causando gritos de entusiasmo na plateia.

Tanta popularidade não faz parte de todo o histórico do universo dos quadrinhos e seus derivados. Até o final dos anos 80, essa cultura era marginalizada. Michael E. Uslan, produtor da franquia Batman, levou dez anos para conseguir um estúdio para rodar o primeiro filme, de 1989. Todos recusavam, dizendo que era coisa para criança. O Homem-Morcego, da DC Comics, consolidou a crença no meio cinematográfico de que era possível ganhar dinheiro com super- -heróis. “Sempre existiram filmes baseados em gibis, mas eram produções alternativas, sem apelo de mercado”, diz o crítico Roberto Sadovski, frequentador do evento. O fracasso de crítica do quarto filme da série Batman & Robin, de 1997, poderia ter provocado o fim desse filão. Mas o sucesso da produção de X-Men alterou os rumos do negócio. Isso porque os cineastas se basearam em quadrinhos da Marvel, editora conhecida por acrescentar densidade psicológica a seus personagens. A história de mutantes que resistem em um mundo dominado por humanos tornou- -se o marco da nova era dos filmes de super-heróis. A partir daí, O Homem-Aranha, Hulk, O Quarteto Fantástico e outros se transferiram do papel para os filmes de ação numa sucessão de êxitos. E salvaram o cinema.

“O interesse pelo filão tem a ver com a falta de criatividade de Hollywood, e isso pode ser provado pela quantidade de remakes que saem todo ano”, diz André Conti, editor do recém-lançado selo de quadrinhos da Companhia das Letras. Além do mais, parece ser fácil adaptar uma história desse tipo. Um dos motivos é que o storyboard – desenho quadro a quadro usado por cineastas para visualizar as cenas de um filme antes de executá-las – já vem pronto. E, claro, a adaptação já traz para o cinema a legião de ávidos leitores dos gibis, que querem ver como ficam seus heróis em carne e osso – e em brinquedos. A Comic Con é o paraíso dessa tribo.

2 pessoas comentaram:

Muito bom o texto da matéria. Realmente é isso ai. É + fácil p Hollywood investir em personagens q já existem e q tem um público fiel. Atrai os fãs e os casuais e empolgados.

Materia legal.

Foi bem enfocado a mudança de estrutura e de alcance da convenção, do dinheiro envolvido e tb não deixaram de mencionar a falta de criatividade do cinemão norte-americano.

Sò espero que toda essa coreria por sucesso não sature o mercado, pq convenhamos tem muitas adaptações do qual passariamos muito bem sem.

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