terça-feira, 31 de maio de 2005

Angel Sanctuary #1


(**Meus comentários sobre o primeiro número de AS. É parte da minha coluna de hoje no site Anime-Pró**)

Hoje consegui comprar o mangá de Angel Sanctuary que tinha me escapado no Kodama (*Convenção de Animes do DF*) porque vendeu feito pão quente. Começo logo dizendo que não houve nenhum aumento de preços, apesar do boato que está sendo espalhado. Por causa de um post no fórum da Panini, começou a correr a notícia de que os mangás passariam a custar R$5,90. Só que, pelo menos no momento, isso só se aplicará ao mangá de Berserk que terá formato maior e mais páginas. Portanto, guardem a indignação para depois.

Indo direto ao ponto: Angel Sanctuary vale os R$5,50? Sim, com certeza, vale. Não falo isso como especialista em quadrinhos, narrativa visual e outras questões técnicas, nem tão pouco como fã de Kaori Yuki, falo como consumidora de mangás e apaixonada por boas histórias que é aquilo que eu sou. Comprei o Nº1 e digo que está muito bem produzido, fora isso, a história mostra ao que veio logo de cara, sem enrolações, como o que ocorreu com X da CLAMP. Assim, se você não gostou da série de OAVs, nada te impede de gostar do mangá porque a obra original é muito superior e não tenta espremer os acontecimentos de um volume dentro de menos de meia hora.

Já conhecia o básico da história de Angel Sanctuary pela net e por causa do anime. Tinha inclusive os três primeiros volumes no meu HD, mas como disse em outra coluna, a arte de Kaori Yuki é me parece pesada demais para ser lida na tela do computador. Logo, foi bem mais confortável ler o mangá, nos intervalos do trabalho, no ônibus e na fila do mercado.

Outro ponto favorável à Angel Sanctuary é que, ao contrário do que ocorreu com Peach Girl em seus primeiros números, ele recebeu um tratamento profissional. Logo na abertura deixaram claro que a editora percebeu que o desejo dos consumidores – aqueles que sustentam as publicações como você e eu – é ler mangá em formato mangá. Logo, ninguém vai enganar ninguém, e provavelmente Angel Sanctuary vai dar o retorno esperado... ou até mais. Fora isso, fizeram introdução e quadro de notas. Mangá é cultura e eu adoro me divertir e aprender ao mesmo tempo.

Outra surpresa muito feliz foi a seção de cartas. Como a Panini anunciou o lançamento com antecedência, coisa que outras editoras nacionais se recusam a fazer, muita gente escreveu comentando o mangá antes que ele fosse para as bancas. Algumas cartas são de elogio, outras de preocupação com o conteúdo. A editora deixou bem claras as suas intenções de não censurar o material e de sinalizar a faixa etária. A recomendação na capa – que ficou bem produzida – é para maiores de 16 anos.

Comentando o mangá: o texto flui bem e isso para mim já garante mais de 50% do sucesso. Apesar de não ter gostado de algumas escolhas como o uso excessivo do “cê” (*de você*) ou as gírias, isso não tira o prazer da leitura. E mais, a edição está bem cuidada. Agora, acredito que se muitos leitores se sentirem incomodados, ou perceberem algum erro, o dever é escrever para a Panini e aproveitar os ventos de sensatez que parecem estar soprando por lá.

Surpresa foi a opção por colocar legendas nas onomatopéias. Fidelidade? Economia? Eu digo que pode ser as duas coisas, só não esperava que a Panini fosse fazer essa escolha. Eu, particularmente, não vejo nada de mau nisso, mas sei de muita gente, tão amante de mangá quanto eu, que prefere que as onomatopéias sejam refeitas. Nos EUA, por exemplo, traduzir onomatopéias é a opção da VIZ, mas outras editoras preferem legendar, como a Tokyopop. Como muitas onomatopéias fazem parte da arte, como no caso da CLAMP, acho que a legenda é o mais aconselhável.

Para terminar essa seção toco em um dos pontos que perturbam muita gente: e se cismarem de perseguir seu mangá por causa do uso de símbolos religiosos e outras coisas? Bem, estamos em um Estado Laico (*ou pelo menos a lei nos garante isso*) e se utilizar de mitologia religiosa em uma novela, romance, quadrinho não é crime e não existe lei que puna blasfêmia por aqui.

Se isso não for suficiente, cito as palavras da autora no primeiro volume: “Eu não tenho a menor pretensão de retratar anjos de verdade neste mangá. Eles também são diferentes dos anjos que eu sempre imaginei dentro da minha cabeça. Esse é apenas um convite para vocês participarem desse banquete dos anjos realizado no mundinho íntimo de Kaori Yuki, seja lá o que isso signifique.” E se um sujeito como o desse site, que uma amiga me enviou, resolver comentar Angel Sanctuary, não se preocupem, afinal, freqüentar o programa “Boa Noite, Brasil” não te transforma em formador de opinião. Ainda na dúvida? Seja masoquista e leia um dos artigos.

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